And Now What?
E na última semana o nosso Ibovespa finalmente se recuperou do terrível ano de 2024 -- um ano marcado por uma tremenda aversão a risco associado as ações brasileiras.
O ano de 2025, por outro lado, tem sido um ano dominado pela procura por ações associadas ao conceito de "valor". Neste sentido, nossas ações vem se beneficiando do forte "bull market" visto nos mercados acionários da Alemanha e da China.
Turbinando estes mercados temos a presença de um enorme impulso fiscal. Enquanto na Alemanha temos a promessa de suspensão do teto dos gastos, na China temos o compromisso de gastos do governo equivalentes a quase 11% do PIB.
Como diz o jornalista Rick Santeli, da CNBC: "todo estímulo -- seja ele fiscal ou monetário -- é fungível". Em outras palavras, o jornalista nos diz que tais impulsos fiscais e monetários acabam afetando todo o mundo.
E o Brasil certamente está se beneficiando deste movimento. Aos poucos os investidores estrangeiros começam a voltar. A impressão que tenho é que onda de más notícias -- aquelas que contribuíram para um tremendo pessimismo no fim de 2024 -- já está devidamente precificada.
Mas, e agora que já tivemos uma expressiva valorização nos mercados mencionados acima. O que fazer?
Nesta segunda-feira, dia 24/3, temos em curso um processo de reversão à média. O mercado voltou a comprar as ações das 7 Magníficas dos EUA e está deixando de lado os ETFs associados a consumo não discricionário (XLP, KXI) que representaram uma espécie de defesa nas últimas semanas.
É possível que, na medida em que nos aproximamos da data de 2/abril -- data que Trump vem chamando de "liberation day" -- os mercados globais fiquem mais arredios. Tal configuração tende a favorecer ativos dos EUA em detrimento as ações globais.
O fato é que eu permaneço otimista com os ativos brasileiros em um horizonte de tempo de 6 meses. O IBOV permanece com um múltiplo de P/L relativamente baixo e tende a se beneficiar de dois movimentos de curto prazo:
1. Impulso creditício local através do adiantamento de décimo terceiro e expansão de crédito via consignado privado. Isso tende a contribuir para uma rápida expansão do agregado monetário M1 -- algo que historicamente contribui para uma alta no Ibovespa.
Aqui vale ressaltar que há "enorme energia potencial" na bolsa brasileira na forma de dinheiro "empoçado" na renda fixa. Por aqui a relação entre os agregados monetários M2 e M1 está superior a 10x, indicando que há muito dinheiro "preso" (M2) que poderá, a qualquer momento, se transformar em liquidez imediata (M1).
2. Maior alocação global em ações brasileiras resultante de uma maior atratividade global, principalmente quando comparadas as ações da Índia. Aos poucos, as ações da Índia começam a ceder alguns pontos percentuais na carteira MSCI Mercados Emergentes; e o Brasil tende a ser um dos beneficiados. Abaixo, a carteira MSCI Mercados Emergentes do dia 28/2/2025:

Abaixo, a carteira MSCI Mercados Emergentes de abril/2024

Observe que a participação brasileira na carteira MSCI EM vem caindo ao longo do tempo. Em 2024, tal participação chegou a ir abaixo de 4%.

É tempo de recuperação! Acredito que, em tempo, a participação das ações brasileira na carteira MSCI Mercados Emergentes deverá voltar para um patamar próximo a 6%.
Marink Martins